Wednesday, January 25, 2006

O menino das meias vermelhas


Todos os dias, ele ia para o colégio com meias vermelhas.
Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio, ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa. Os outros putos troçavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava.
Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.
Ele contou com simplicidade: "no ano passado, no meu aniversário, a minha mãe levou-me ao circo. Calçou- me estas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que toda a gente ia troçar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela".
Os garotos responderam: "Mas tu não estás num circo! Porque não tiras essas meias vermelhas e deitas fora?"
Mas o menino das meias vermelhas explicou: - "é que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando estas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela".

Foi Carlos Heitor Cony que escreveu esta história.
E eu fiquei assim, durante um bom bocado, a pensar…”como me comove…”
Como comove saber e sentir que se persiste na vida com confiança,
com fé e se deposita em cada dia nosso a esperança de que o amor
acaba sempre por voltar para nos levar “para casa”.
É de lá que todos viemos e é para lá que todos caminhamos.
Acreditemos nisto. Com paciência e persistência.
Confiantes nesse amor e mesmo apesar das nossas meias vermelhas…

7 comments:

Miguel said...

É bem verdade. É bonito. Quando é uma coisa e outra enriquece-nos.
Obrigado.

Ver para crer said...

É de facto uma história terna.
Tantas e tantas crianças abandonadas pelos próprios pais! Mas continuam à espera de os encontrar!... Talvez até, quem sabe, em algum de nós.
Abraço grato pela visita.

Sonhadora said...

Uma história muito comovente. Se fosse um adulto a ser abandonado certamente guardaria mágoa ou até algum rancor. Mas esta criança não...As crianças surpreendem-nos por vezes com a sua fé e seu amor. Como dizia o poeta, são o melhor do Mundo!

Confessionário said...

Imagino um Deus vestido de vermelho!

JABA said...

Julgo que todos, no nosso inconsciente, procuramos, quando adultos, regressar ao seio materno nos momentos mais difíceis… O seio materno, ou seja, a mão funciona quase sempre como o porto seguro ao qual todos queremos regressar quando está tempestade no mar… Beijo do Jaba

JABA said...

Julgo que todos, no nosso inconsciente, procuramos, quando adultos, regressar ao seio materno nos momentos mais difíceis… O seio materno, ou seja, a mão funciona quase sempre como o porto seguro ao qual todos queremos regressar quando está tempestade no mar… Beijo do Jaba

deep said...

Falta-me tantas vezes essa persistência... como eu invejo (sem lhe querer mal!) aqueles que a têm!
Acho que, para a mães, nunca deixamos de ser "meninos" e também nunca abandonamos a tentação de deitarmos a cabeça no colo materno (confesso que, apesar da idade, às vezes, ainda o faço...).
Bjs